Catedral de Santa Maria de Braga

A Catedral de Braga é, antes de tudo, um lugar de culto. Quando, em finais do século XI começou a ser construída, foi com o objectivo de que todos aqueles que acreditam em Deus viessem participar nas celebrações, ou então, recolher-se nas suas orações particulares.

 Mais velho que a Sé de Braga é uma expressão portuguesa bem conhecida, que lembra a antiguidade de uma qualquer realidade. A Sé de Braga começou a ser construída nos finais do séc. XI, sendo solenemente sagrada pelo Bispo D. Pedro e dedicada à Virgem Maria, no dia 28 de Agosto de 1089. Foi a primeira Catedral portuguesa a ser construída. Portugal, enquanto país ainda, não existia. As suas paredes sustentam a vida de um monumento com mais de 900 anos de História e vida religiosa.

O singular património histórico, artístico, cultural e espiritual que se guarda na velha Catedral bracarense, faz deste monumento um dos mais visitados da cidade de Braga. Por aqui passam, ao longo do ano, milhares de visitantes nacionais e estrangeiros.
No conjunto arquitectónico da Sé de Braga convivem diferentes estilos artísticos. Uns mais incipientes como o românico, outros, claramente marcantes, como o barroco do Coro Alto e dos Órgãos monumentais.

As dependências exteriores à Sé – quatro capelas e claustros – mantêm uma relação indissociável com o monumento. Foram executadas ao longo de séculos e revelam também muito da própria História do espaço catedralício bracarense.

O claustro da Sé Catedral é uma reconstrução dos finais do século XVIII – inícios do século XIX: substituiu o anterior, que era gótico. Foi mandado executar pelo Cabido, após a morte do Arcebispo D. António de Freitas Honorato. Actualmente, este privilegiado espaço de religiosidade popular acolhe diferentes imagens, em geral, de execução recente. Exceptuam-se Santo Ovídio, Altar das Almas (séc. XVIII), a Capela de Santa Luzia, Santa Ana ensinando a Virgem a Ler (séc. XVIII, final – séc. XIX, início).

Claustro de Santo Amaro e Absidíolo Românico

O Claustro de Santo Amaro era, antes do restauro, um recinto coberto rodeado de várias capelas. A intervenção feita no início do século XX transformou-o num espaço aberto. Acondicionados neste espaço estão, provisoriamente, os vestígios resultantes das sucessivas intervenções por que passou esta Sé Primacial.
Aqui sobressai o absidíolo românico de execução bastante antiga, talvez pertencente ao projecto original da Sé. O seu interior, de planta redonda, abre-se em arco duplo que assenta em duas colunas de fustes cilíndricos e capitéis com ornamentação vegetalista. A abóbada está decorada com uma pintura do século XV que representa Nossa Senhora do Loreto, como se deduz da legenda gótica.

Já no interior da Sé, pode ser observado o Túmulo do Infante D. Afonso de Portugal, filho primogénito de D. João I e de D. Filipa de Lencastre. Datado do início do século XV, é uma obra impar pela sua materialidade – uma estrutura de madeira revestida totalmente por elementos em cobre dourado e prateado. É considerado uma das jóias do património móvel da Sé e que agora pode ser fruído por todos os que visitam a Catedral, localizando-se na torre Sul.
Nos finais do século XV, por encomenda do Arcebispo D. Jorge da Costa (1488-1501) é executada a Galilé.

O século XVI foi muito significativo no que respeita à História da construção da Catedral. Nele viveu D. Diogo de Sousa, ilustre arcebispo, grande mecenas da arte e da cultura. Em 1509, patrocina a construção de uma nova cabeceira, traçada pelo arquitecto João de Castilho, que ali deixou um original testemunho da arquitectura do tardo-gótico nacional, bem visível na sua belíssima abóbada. O fragmento do antigo retábulo e que hoje compõe o frontal do altar é uma peça de grande beleza escultórica.

A grande Pia Baptismal, executada em calcário, estilo manuelino e decorada com motivos alusivos ao baptismo, data de inícios do séc. XVI, sendo uma oferenda de D. Diogo de Sousa.

E assim se manteve a velhinha Catedral até ao início do século XX, quando as obras realizadas pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais tentaram restituir o primitivo aspecto medieval do templo. Estas intervenções decorreram de 1930 a 1956 em vários espaços da Catedral.
A Catedral de Braga é um imóvel classificado como Monumento Nacional desde 23 de Junho de 1910.
Em 1989, celebraram-se os 900 anos da Catedral. As cerimónias culminaram com a realização de um Congresso Internacional que contou com a colaboração de investigadores que reflectiram sobre este património multi-secular.

Ao longo dos anos 90 do século XX, a Catedral foi objecto de extensas e profundas obras de preservação, conservação e restauro. Os respectivos encargos financeiros foram, umas vezes, da responsabilidade do antigo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR); noutras ocasiões, foram assumidos pelo Cabido e pela sua rede de benfeitores. Não obstante este esforço, é ainda extensa a lista de intervenções pendentes e necessárias.

A Catedral de Santa Maria de Braga é um monumento com um passado que se perde na lonjura dos séculos: um passado recheado de uma notável riqueza artística, histórica e litúrgica.

Um presente que nos obriga a uma constante atenção às necessidades que surgem num espaço destas dimensões e complexas características. A Catedral de Braga e o seu Tesouro-Museu apresentam hoje, globalmente, uma imagem que a todos nos dignifica e que situa este histórico complexo na primeira linha das catedrais portuguesas.

Para o futuro esperamos que a todos aqueles que visitem esta Sé velhinha de nove séculos seja dada a permanente oportunidade para o encontro com uma riqueza cultual e patrimonial posta ao serviço de todos.

PATRONOS

S. Martinho de Dume: Padroeiro principal da Arquidiocese de Braga (22 de Outubro)

S. Geraldo: Padroeiro principal da Cidade de Braga (5 de Dezembro)

Assunção da Virgem Maria: Padroeira da Catedral (15 de Agosto)

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